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FearLess ColorHand & Carolina Janeiro

FearLess ColorHand #30

Idade: 31 // Ocupação: Intérprete de língua gestual // Música favorita: De Portugal a África // Curiosidade: Tenho um sinal na cara idêntico ao que tinha uma bisavó (que, infelizmente, não conheci!)

IMG_7966O Roller Derby apareceu na minha vida há uns poucos meses através de uma amiga praticante. Em conversa ocasional surgiu a hipótese de ir, um dia lá longínquo (pensava eu!), experimentar um treino. Antes disso, e por precaução, o melhor seria testar o equilíbrio em cima das rodas num dos treinos informais, na rua. Fi-lo e a verdade é que até não me desequilibrei muito. É certo que já tinha praticado patinagem mas também é certo que havia sido com patins em linha e há uns (longos!) anos. A volta que dei nos quad nesse dito treino foi curta mas suficiente para me deixar com vontade de querer mais. Um dia fui a um treino e aí o equilíbrio foi diferente. Troquei muito os pés, fiz muitas piruetas que nada tinham de artísticas, dei muitas quedas e tive durante dias com dores em sítios impróprios para que pudesse estar sentada confortavelmente num sofá! Mas tudo isso passou, exceto a vontade de querer continuar. Inscrevi-me como jogadora e desde então que sinto que tenho evoluído. Se calhar não tão rápido ou nem tanto como poderia.. o cansaço dos finais dos dias, o trabalho extra que teima em aparecer, a preguiça que deixo que se instale ou o difícil que parece que é dar aquele passo para sair de casa, são fatores com os quais, eu e só eu, me debato muitas vezes e que eu, mais uma vez, tenho a noção que me são prejudiciais! Adiante…

Há muitos aspetos inerentes a este desporto que o tornam fascinante: é a rapidez com que tudo acontece, é a forma como tudo muda em pista, é o passar de um sentimento de força para a frustração e logo a seguir ter de deixar isso de lado para voltar a ter forças, é o saber que precisas de alguém ao teu lado porque assim serás mais forte, é a união que sente quando se ouve os “five seconds” (e, até à data, só os ouvi em treinos, imagino como será em jogo!). O Roller Derby ensina-te a ser uma jogadora na pista e na vida! Ensina-te a ser forte, a segurar quem tenta vir contra ti, a ultrapassar os obstáculos, quiçá paredes, que a vida muitas vezes te traz, a levantar quando cais, a lutar por aquilo que queres e, principalmente, a acreditar que vais conseguir chegar lá! E ensina-te tudo isso sendo tu como és. Mulher, tu não precisas de ser perfeita, só tens de ser tu mesma, aceitar-te como tal e estar pronta para o que der e vier, estar na posição perfeita para enfrentar o que quer que seja. E no final podes mostrar o teu sorriso porque (seja qual for a cor da tua mouthguard) ele será sempre a manifestação da felicidade que é ter o Roller Derby na vida.

Carolina Janeiro

Idade: 26 anos // Ocupação: Engenharia Eletrotécnica // Música favorita: Demasiadas, para escolher só uma // Curiosidade: Sou canhota

Quando vim trabalhar para Coimbra, quis praticar algum desporto para me manter em forma. Comecei por me inscrever no ginásio e ir às aulas, mas a verdade é que não sou muito fã. Sinto-me como uma máquina a imitar os gestos do instrutor, sem que haja grande diversão ou colaboração entre os praticantes (ainda que continue a ir ao ginásio). Por esse motivo, decidi procurar um desporto de equipa: a minha forma preferida de praticar desporto. No caso da maior parte dos desportos tradicionais (futebol, voleibol, basquetebol…), na minha faixa etária, já se espera um nível muito avançado das atletas. O que procurava era, assim, um desporto divertido, desafiante e em que tivesse a oportunidade de contribuir para a equipa. Conhecia uma rapariga que tinha praticado Roller Derby em Lisboa e tinha visto o filme “Whip It”. Pesquisei na internet, um pouco ao acaso, e tive a agradável surpresa de descobrir que este desporto existia em Coimbra.

Comecei a ir aos treinos e fiquei. A primeira fase, sobretudo para quem não sabe patinar, requer paciência e demora tempo para adquirir as mininum skills. Contudo, vale a pena, por aquilo que o desporto nos dá: a oportunidade de libertar as preocupações do dia-a-dia e de nos sentirmos fortes.

Ainda estou numa fase inicial da prática do desporto, mas, a pouco e pouco, vou melhorando. Recomendo a todas que venham, pelo menos, experimentar.

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Devi Nemesis & Mary Ash

Devi Nemesis #33

Idade: 27 anos // Ocupação: investigadora/docente // Música favorita: várias, uma delas Pompeii – Bastille // Curiosidade: adoro viajar

Durante a juventude sempre estive ligada ao desporto. Pratiquei atletismo, patinagem de velocidade e ténis de mesa. No entanto, a partir do momento em que vim para Coimbra estudar deixei isso para trás. Passados uns anos, uma colega de trabalho falou-me num desporto em patins, o Roller Derby. O mais importante era ser praticado em patins, na altura nem me importei com o que poderia ser. Fui experimentar, ver o que era.

Na altura, as Rocket Dolls eram um pequeno grupo de pessoas que sonhavam ter uma equipa. E assim foi, adorei voltar a patinar. A partir daí, foi uma enorme evolução. Ver o crescimento de uma equipa e passar a conhecer um desporto que é tão diferente, tão novo e assustador para muitas pessoas.

As pessoas que o praticam são, sem dúvida, pessoas com muita personalidade. Pessoas unícas que não têm medo do que fazem e não se importam de serem diferentes. Dei-me conta disto, não por me achar assim (inicialmente), mas sim por ver quem resiste ao longo do tempo. As mulheres que o praticam têm uma coisa em comum, não se trata do aspecto fisico, serem altas ou serem magras, etc., simplesmente adoram o que fazem.

No último torneio em que participei, numa das vezes em que estava no banco, cansada e a olhar para a equipa dentro da pista, pensava o seguinte “Adoro isto. Isto é mesmo fantástico”. É muito físico, leva-nos à exaustão, e é tão táctico. Pequenas coisas que fazem muita diferença e que se aprendem com o tempo, com a experiência. Não basta seres a mais ágil, a mais forte, a mais resistente. Tens de trabalhar em equipa.

It’s hard to beat a team that never gives up. 

Devi Nemesis #33

Mary Ash #3

Idade: 36 anos // Ocupação: Analista de Media e recente mãe 😛  // Música favorita: não tenho // Curiosidade: Scrapbooker 😉

Ao longo do tempo sempre fui tentando manter a prática do exercício físico de alguma forma regular essencialmente por uma questão de saúde e por saber o quanto é benéfico, nem que seja para nos deixar mais bem-humorados e descarregar o menos bom da vida, mas não por ser uma amante do desporto, talvez porque nunca encontrei o certo.

Passei por vários ginásios, por atividades como o Hip Hop, a Dança Jazz e as Danças Latinas mas nenhum vingou por muito tempo, por uma razão ou por outra. Sempre pensei que gostaria de experimentar um desporto de equipa, por tudo o que isso envolve, mas nunca tinha visto aptidão suficiente em mim para nenhum em particular. Precisamente (e porque não há coincidências) quando andava a pesquisar se ingressar num desporto de equipa, na minha idade, seria viável (porque depois dos 30 é-se praticamente idoso para qualquer tipo de coisa…), eis que o Roller Derby entrou na minha vida. Soube do desporto através de uma reportagem na Preguiça Magazine de Coimbra e despertou a minha atenção. Intrigou-me por ser essencialmente feminino, em patins (“uau, giro”, pensei!) – algo que tinha feito há 20 ou mais anos atrás, sem muita prática – com possibilidade de descarregar noutra pessoa o stress diário (sem repercussões ahah) e no meio disto tudo, talvez ainda perdesse umas calorias! Soava promissor… Será que era para mim?

A pessoa pela qual soube da reportagem trabalhava comigo e já praticava na recém-formada equipa das Dolls. Não demorou até lhe pedir mais informações e perceber se seria algo que eu pudesse experimentar. Confesso que o piso de cimento onde praticavam na altura (o nosso querido ringue exterior) quase me tirava a vontade de experimentar com o medo de cair (sempre esse sacana) a falar mais alto, mas enchi-me de coragem e lá fui. A todas as razões anteriores juntaram-se outras, sendo a principal o ser um desporto de equipa e uma equipa faz- se quando todos remam para o mesmo lado e quando se empenham em fazer o melhor para a mesma. E foi isso que aconteceu e acontece até hoje.

Pelo caminho aprendemos, sofremos, triunfámos, perdemos, sorrimos, chorámos mas continuamos em frente. Tenho orgulho em nós e do que conseguimos até hoje. Magras, gordas, baixas, altas, católicas, ateias, héteros, homo, há espaço para todos, sem exceção, pois é um desporto inclusivo e onde és aceite como és…apenas tens respeitar o próximo e, no fundo, persistir e não desistir. E, como em muita coisa na vida, há os momentos em te vai apetecer desistir, em que o sofá fala mais alto do que os treinos (e no Inverno? ui ui), em que pensas nos burpees e só te apetece fugir, em que dá medo, em que sabes que te podes magoar (sim, temos essa noção) e que dez treinos correm mal e dizes que não és capaz, que nunca serás capaz, mas…ahhhh e quando és? E quando corre bem? E quando consegues fazer aquele movimento que treinaste durante semanas? E aí sim, vale a pena. E na maior parte das vezes nem é pelas calorias, nem pelo divertimento e nem mesmo pela equipa, mas sim por ti e pela tua superação através da tua força e persistência. “E se der medo?… Vai com medo mesmo.”

Ready to roll 🙂

Bloody Bones & Rolls Von John

Bloody Bones #111

Idade: 31 anos // Ocupação: Assistente de Direção  // Música favorita: Bikini Girls with machine guns, The Cramps // Curiosidade: Sou alérgica a bebidas alcoólicas, não gosto andar de avião, fui escuteira etc.

Faz 3 anos que, sentada na minha garagem, li duas palavras que estavam prestes a mudar a minha vida: Roller Derby!

Um par de meses depois de as ler, as Rocket Dolls surgem em formato de página do Facebook, e com elas o início de um estudo profundo sobre o desporto. Queria saber TUDO!

Acabei então por descobrir que o roller derby  é um desporto diferente de tudo o resto! Aqui os requisitos são outros; aqui, apenas é preciso ter coragem! Coragem para sair de casa à noite, ao frio e à chuva, para treinar;  coragem para deixar a família em casa para treinar; coragem para abdicar de um fim de semana para poder treinar mais; e, não obstante, coragem para estar em pista em dia de jogo!

Do grupo heterogéneo de mulheres com quem partilho a pista, todas elas têm essa coragem, essa determinação, seja no desporto ou na vida.

O roller derby ajudou a construir a minha/nossa personalidade, a melhorar a minha/nossa auto estima e a criar laços e amizades que, não tendo sido este gosto pelo desporto em comum, provavelmente não aconteceriam.

Pratico este desporto por amor, dedico-me a esta equipa de coração.

Roller Derby saved my soul!

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Rolls Von John #999

Idade: 42 anos // Ocupação: Auxiliar de Geriatria // Música favorita: The way I walk, The Cramps // Curiosidade: Fui baterista em bandas de Lisboa como Rolls Rockers, The No-Counts e Escarro Social e mais tarde em Coimbra nos Atentado Cerebral, Punkada, Joane e o Amendoim Saltitante, entre outras.

O Roller Derby entrou na minha vida através da minha namorada Bloody Bones e de imediato reconheci o potencial deste desporto.

Ele envolve, para além da patinagem, uma atmosfera de Rock’ n’ Roll e mulheres poderosas!

Estava perante o projeto da nossa vida e obviamente eu não queria ficar fora!

Claro que esta ideia romantisada foi levada a um extremo sentido de responsabilidade e conquista.

Com a vontade de criar uma equipa de raiz, surgiu a necessidade da criação do clube de praticantes, integração nas finanças e segurança social, conta bancária, seguro desportivo, apoio camarário entre outras grandes e trabalhosas conquistas.

Este desporto não federado estava prestes a levantar vôo em Coimbra!

E que voo!

Na equipa, para além de Vice Presidente, sou também treinador das freshies e, sempre que possível, sou ábitro, posição esta que requer muito estudo e dedicação.

Tem sido um enorme gosto conhecer as Mulheres extraordinárias que têm vindo a fazer parte desta equipa. Sem elas este sonho não seria possível de realizar.

É  a elas que dedico o meu testemunho, assim como àquelas que pensem iniciar esta modalidade.

E para elas fica a dica: independentemente da vossa idade ou  condição física, nunca é tarde nem cedo demais para se juntarem a nós.

O Roller Derby é o desporto inclusivo que procuras!

Long live Roller Derby